LISTA DE LIXOS ELETRÔNICOS PARA A CRIAÇÃO DAS FOTOPERFORMANCES
- Cabos elétricos de todas as espessuras possíveis
- Muitos fios elétricos coloridos e/ou preto de toda natureza
- Carregadores de celular quebrados
- Teclado de computador
- Capas de celular
- Monitores
- Geradores
- Batérias elétricas
- Filtro de linha
- Extensão elétrica
- Fones de ouvido
- Notebooks e laptops quebrados
- Mouses (com fio e sem fio)
- Placas de circuito / placas-mãe (motherboards)
- Pentes de memória RAM, processadores e placas de vídeo
- Discos rígidos (HDs internos/externos) e SSDs
- Drives de CD/DVD/Blu-ray internos e externos
- Fontes de alimentação de computador (ATX)
- Webcams e microfones de mesa
- Aparelhos celulares antigos ou danificados (smartphones e telefones de tecla)
- Baterias estufadas ou viciadas de celular
- Roteadores Wi-Fi, modems e switches de rede
- Telefones fixos e aparelhos de fax
- Decodificadores de TV a cabo e antenas de recepção digital
- Ar-condicionado (unidades internas e compressores externos)
- Ventiladores e umidificadores de ar
- Consoles de videogame antigos ou quebrados (PlayStation, Xbox, Nintendo, etc.)
- Controles de videogame (joysticks) e volantes de simulação
- Painéis solares fotovoltaicos ou controladores de carga danificados
“Fotoperformance Popular Marselha” é um projeto que propõe uma investigação visual e performática no espaço público de Marselha, tensionando o impacto do progresso tecnológico, a obsolescência programada e o aquecimento ecossistêmico a partir de uma perspectiva situada e de base.
A intenção é criar um ponto de fricção e encontro entre o corpo, a paisagem e a imagem por meio da instalação de um estúdio fotográfico nas ruas da cidade, mais propriamente, no Jardin Levat e na Friche.
Adotando uma abordagem horizontal e colaborativa, a proposta será construída com imigrantes brasileiros e de outras nacionalidades e com franceses. Juntos, criaremos performances direcionadas para a câmera utilizando dispositivos e próteses construídos a partir de lixo eletrônico coletados nas associações e centros de reciclagem locais.
Deste modo, a pesquisa irá praticar uma ecologia de guerrilha ao subverter a separação entre natureza, cultura e tecnologia, entendendo os corpos dos colaboradores como meio, fiação e condutores do calor dos dados. Sendo assim, materiais descartados pelo consumo voraz da informação transmutam-se em extensões ciborgues e memórias eletrônicas obsoletas que irão se conectar com pomares existentes no Jardin Levat.
Com isso, a metodologia prevê a elaboração conjunta de uma fabulação climática e conceitual, sendo criadas, por exemplo, imagens em que corpos aparecem com sacos plásticos transparentes com água sobre o rosto, enquanto circuitos elétricos se ramificam de suas anatomias até serem acoplados em árvores ou frestas de concreto onde a vegetação resiste, evidenciando o cruzamento indissociável entre circuitos eletrônicos e fluxos biológicos.
Por essa via, estimula-se com o projeto uma ecologia da imaginação. Sendo assim, os colaboradores de Marselha irão encenar narrativas sobre sobrevivência, resiliência biológica e autonomia comunitária após um possível apagamento digital, disputando outras formas de narrar o território e especular sobre futuros possíveis.
Jardim Levat - local onde irei produzir as fotoperformances